Carta Aberta à Comunidade Capixaba em Defesa da Única Universidade Federal no Espírito Santo

O Comitê em Defesa da Universidade Federal do Espírito Santo divulgou nesta segunda-feira, 16, carta aberta dirigida a toda a sociedade capixaba com o objetivo de esclarecer sobre o atual cenário político e econômico por que passa a Universidade. O comitê é formado por representantes da Administração Central da Ufes, da Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), do Sindicato dos Trabalhadores da Ufes (Sintufes) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Confira:

CARTA ABERTA À COMUNIDADE CAPIXABA EM DEFESA DA ÚNICA UNIVERSIDADE FEDERAL NO ESPÍRITO SANTO

 

O Comitê em Defesa da Ufes vem a público esclarecer sobre o atual cenário por que passa a Universidade, sob o ponto de vista político e econômico. Nos últimos meses, realizamos dois grandes debates públicos, a fim de conhecer os cortes orçamentários impostos pelo Governo Federal e de discutir sobre eles, bem como sobre o projeto Future-se e as suas consequências para o desenvolvimento do ensino superior como um direito social numa universidade pública, cuja função se pauta no princípio da indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão, em todas as áreas do saber. Esses debates favoreceram o acúmulo de informações que demonstram a relevância social da Ufes nos seus 65 anos de existência, contrariando qualquer tentativa arbitrária de deslegitimar a sua imagem, seja sob a égide do ideológico, seja por completo desconhecimento. A Ufes é a maior e melhor instituição superior de ensino e pesquisa do Espírito Santo. Para se ter uma ideia, oferta 103 cursos de graduação/formação profissional, com um total de 5.004 vagas anuais, e já formou mais de 50 mil profissionais que integram equipes de escolas, empresas, hospitais e instituições regionais, nacionais e internacionais. Na pós-graduação, oferta 63 cursos de mestrado e 31 de doutorado, com cerca de 3.500 pós-graduandos, que desenvolvem pesquisas com orientação de professores e ajudam na descoberta de novas tecnologias. A Ufes forma mais de 90% dos doutores e retroalimenta a atuação profissional em inúmeras instituições de ensino superior capixabas e de outros estados da federação. Na extensão universitária, possui cerca de 850 projetos e programas com abrangência em todos os municípios do Espírito Santo, contemplando aproximadamente dois milhões de pessoas em diferentes áreas do conhecimento. Também vale ressaltar que a Ufes presta diferentes serviços ao público acadêmico e à comunidade: teatro, cinema, galerias de arte, centro de ensino de idiomas, bibliotecas, museus, planetário e observatório astronômico, auditórios, ginásio de esportes e outras instalações esportivas. Oferece serviços de extrema relevância na área da saúde, por meio do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), com ênfase no atendimento especializado em transplantes de órgãos (córnea, coração, fígado e rins) e no programa de doação de sangue e de leite materno, para famílias do Espírito Santo e de estados adjacentes. A educação de qualidade depende de investimento financeiro. No caso da Ufes, depende tanto de recursos repassados pelo Governo Federal, quanto daqueles captados pela própria instituição, por meio dos seus projetos. Entretanto, todas as atividades estão sendo profundamente prejudicadas pelos cortes orçamentários. Concretamente, entre 2016 e 2019, a Ufes teve uma queda de 50%, ou aproximadamente 60 milhões de reais, na receita para pagar despesas correntes (custeio da instituição). Desse montante, 12% entre 2016 e 2018, e queda brusca de 38% somente na metade do ano de 2019. São despesas como material de consumo, energia, telefone, limpeza, segurança, pagamento de bolsas de ensino, extensão e pesquisa, entre outras. Recentemente, a Administração Central, sem alternativas e numa decisão extrema, suspendeu o seu Programa Integrado de Bolsas, voltado a estudantes em formação. Nesse cenário político e econômico, se já não era compreensível o fato de o Governo Federal ignorar a relevância das universidades para o desenvolvimento do país, menos ainda quando opta por investir na tentativa de estigmatizar a imagem das universidades perante a sociedade brasileira. Por esse motivo, vimos a público externar a nossa real situação, bem como a indignação com esse Governo, tanto no que se refere aos cortes orçamentários drásticos, quanto ao modo como vem tratando a universidade pública, escolhida como inimiga do Governo e da sociedade. Repudiamos quem brinca com questões sérias como é o caso da Educação Básica e da Educação Superior, tão importantes para o desenvolvimento civilizatório de uma nação. Por último, no contexto capixaba, pedimos ao leitor e à leitora desta carta aberta que faça o exercício de identificar alguém da família ou próximo que seja formado pela Ufes ou esteja em formação, ou algum serviço prestado pela Universidade de que tenha usufruído direta ou indiretamente. Por certo, em toda família capixaba, há registros da presença da Ufes. Alguém conseguiria imaginar um estado sem uma universidade federal? É o que nos perguntamos a cada ataque que sofremos. Sendo assim, o Comitê em Defesa da Ufes, composto por representantes da Adufes, do Sintufes, do DCE e da Administração Central, conclama a todos a defenderem a Universidade Federal do Espírito Santo sempre e todas as vezes em que ela for atacada sem quaisquer fundamentos. Vitória, setembro de 2019.

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